Entrevistas

05/05/2009

Quando Convém Terceirizar

Importa considerar não apenas o custo, mas também outros fatores que interferem na avaliação pela melhor opção.


No processo de tomada de decisão na pecuária, é de frequente a ocorrência da questão de se ter de optar entre realizar diretamente o trabalho e terceirizá-lo. O desafio é saber qual a melhor opção. Não há receita geral, e a escolha adequada pressupõe análise e avaliação, caso a caso.


O consultor Marco Aurélio Nunes, da Marco Rural, de Uberlândia, MG, lembra que a opção pela terceirização pode ser interessante em muitos processos, como a construção de uma cerca ou a produção de bezerros. "É uma alternativa muito utilizada. Cabe ao produtor envolver-se diretamente somente com o que faz melhor. Imagine se as montadoras de veículos decidissem produzir todas as peças de seus carros. O risco e a quantidade de trabalho seriam muito maiores", diz ele.

 

A opção não é fácil, e não é apenas o custo que importa considerar. Segundo Marco Aurélio Nuns, o aspecto econômico responde por apenas 25% na ponderação dos componentes que entram na tomada de decisão.

 

Para facilitar, Marco Aurélio Nunes adaptou para o meio rural uma matriz de gestão empresarial, conhecida como "make or buy'", que significa '"fazer ou comprar". O processo começa por se questionar o risco estratégico da terceirização e se avaliar a capacidade da fazenda de dar suporte aos serviços oferecidos pelo melhor fornecedor. "Avalia-se o risco medindo o grau de incerteza na realização de determinado serviço", diz ele. O risco pode estar associado à oferta do produto ou serviço na região, qualidade, tempo de entrega ou à complexidade da produção. Por isso, Marco Aurélio Nunes sugere ao responsável pela tomada de decisão avaliar a oferta de serviço, buscar referências sobre o fornecedor e sobre a qualidade de execução, no tempo previsto, de acordo com o resultado esperado.

 

Feita a análise da disponibilidade externa e avaliada a capacidade da fazenda de responder aos requisitos do fornecedor, a resposta sobre terceirizar se encaixará em quatro possíveis situações:

 

1 - Se o risco da terceirização for alto, pela ausência de oferta de serviço região ou pela baixa capacidade dos prestadores de serviço, havendo capacidade interna, a melhor opção será assumir a tarefa e não terceirizar.

 

2 - No caso do existir disponibilidade de serviço e ser baixo o risco da terceirização, havendo qualificação interna, será

a análise de custos que apontará o melhor caminho neste caso, a opção que se motrar mais econômica.

 

3 – Haverá casos em que a qualificação interna não é suficiente e o risco de terceirização na região é alto. Então, o melhor a fazer é investir na capacitação da equipe e na adequação das instalações, para se atingir o nível de excelência na execução do trabalho, Se a opção for pela terceirização deve-se tornar o cuidado de optar por um prestador de serviço, mediante contrato que disponha com clareza sobre as obrigações de ambas as partes.

 

4 - No caso em que a qualificação interna é baixa e os prestadores de serviços atestam eficiência, o produtor não deve ter receio de optar pela terceirização, sugere Marco Aurélio Nunes.

 

A melhor opção, caso a caso. 

 

Na fazenda Água Limpa, em Uberlândia, MG, o pecuarista José Eduardo Ferreira Netto, dividia os 5 mil hectares disponíveis em 3,5 mil para lavoura e 1,5 mil para recria de bezerros e garrotes. Após análise, a decisão foi por conduzir diretamente as atividades de pecuária e terceirizar a produção de grãos. A justificativa, segundo Marco Aurélio Nunes, da Marco Rural, foi que "a demanda operacional e financeira para a produção de grãos estava comprometendo a atividade principal". Ou seja, a atividade agrícola, secundária, além de se mostrar onerosa, ocupava área necessária à atividade pecuána, obrigando à deslocação do gado para pastagens alugadas, Assim, por exemplo, em 2007, quando foi colhido a um custo de R$ 19,50 a saca, o milho era encontrado no mercado por RS 15,00; e, como não restava área de pasto disponível, 4,5 mil cabeças tiveram de ser ti-ansferidas para pastos arrendados.

 

Diante desse quadro. Ferreira Netto pesquisou sobre a disponibilidade e o preço do milho e sorgo na região e constatou que o risco de terceirizar a sua produção era baixo. "Tinhamo qualificação e baixo risco na terceirização. A análise de custos mostrou que terceirizar a produção agrícola era a melhor alternativa", comenta. Com a terceirização da lavoura, o cusio de produção da saca de milho foi de RS 17, abaixo do preço médio regional, de R$ 20. Além disso, reduziu-se o gasto com aluguel de pasto, que na época estava em R$ 12 cabeça/mês.

 

Marco Aurélio Nunes ressalta que a decisão de terceirizar depende da avaliação das particularidades de cada caso e do momento vivido pela empresa.

 

Situação inversa à de Ferreira Netto foi vivenciada pelo produtor Ivan da Costa, de Uberlândia, MG. A integração da produção de alimentos à atividade de recria e engorda era área total de 120 hectares limitava a capacidade de suporte a apenas 500 cabeças. Se optasse por terceirizar a produção de alimento, Ivan da Costa teria problemas com o custo do frete; em contra-partida, a fazenda dispunha de equipe capacitada e qualificação interna. A opção, orientada pela consultoria, foi por mudar o sistema de produção.

 

A fazenda, na totalidade, passou a ser utilizada para a produção de silagem, e os bois foram retirados e levados para área arrendada. "A especialização permitiu elevar a capacidade de produção em dez vezes. Foi possível produzir 3, 6 mil toneladas de silagem, o que permite confinar até 3,5 mil bois, uma vez que a capacidade de confinar aumentou sete vezes", diz Marco Aurélio Nunes.

"Dessa forma, o pequeno transformou-se em grande produtor",

 

CONTRATAÇÃO - A experiência da fazenda Eldorado, de Egton Pajaro, localizada em São Geraldo do Araguaia, PA, ilustra o caso em que a qualificação interna é baixa, e a melhor opção está na contratação externa, A análise das variáveis mostrou que o trabalho de construção de cerca nos 13 mil ha da fazenda, realizado até então por equipe própria, apresentava baixo rendimento. Como na região havia disponibilidade de prestadores de serviço com qualidade, a opção foi pela terceirização do serviço, o que reduziu os custos em 35%, enquanto a produtividade dobrou, de 5 km para 10 km de construção de cerca, por mês.

 

Por processo de avaliação semelhante passou a fazenda Aragão, de Hely Tarquínio, em Patos de Minas, MG. Hely Tarquínio decidiu investir na inseminação artificiai, mas contra a opção de assumir diretamente o trabalho pesavam a feita de treinamento da equipe, o investimento na compra de um botijão de inseminação (RS 1.800), a manutenção de nitrogênio (R$ 40/mês) e a compra de estoque de sêmen. Diante disso, Hely Tarquínio optou por se inscrever em um programa da cooperativa local, que se responsabiliza pela armazenagem do produto e atende ao pecuarista de acordo com sua demanda. "Com a terceirização, ele obteve redução dos custos de imobilização de capital e de operação", conclui Marco Aurélio Nunes. 

 

Fonte: Revista DBO - Maio de 2009

Por Flávia Tonin

 

Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646








 

 

 

 

 

 







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