Entrevistas

18/01/2012

Stress nas Pastagens

Entrevista dada pelo Médico Veterinário Marco Aurélio Nunes à Revista Sindicato Rural de Uberlândia

 

1. QUAIS AS POSSÍVEIS CAUSAS DE STRESS NAS PASTAGENS?

As causas de stress nas pastagens estão relacionadas a fatores fisiológicos e produtivos, que basicamente se enquadram a três situações:

- desfolha proveniente do corte ou pastejo;

- excesso de umidade;

- excesso de adubo nitrogenado.

 

2. COMO SE CARACTERIZA O STRESS DA DESFOLHA DA PASTAGEM?

A desfolha proveniente do corte ou pastejo é o processo em que a pastagem tem suas folhas, ou parte delas, eliminadas. O que representa um momento de stress para a planta devido a uma momentânea paralisação da fotossíntese, pois essa é realizada pelas folhas. Isso gera uma supressão da capacidade de fixação de gás carbônico (CO2), diminuição da absorção de nutrientes e sua armazenagem nas raízes, além da paralisação momentânea do desenvolvimento das raízes, folhas e caule.

 

3. DE QUE FORMA O EXCESSO DE UMIDADE PODE PROVOCAR STRESS NAS PASTAGENS?

O solo em sua composição apresenta um percentual de ar que é aproximadamente de 1,0% de gás carbônico e de 20,0% de oxigênio (O2). Esse último é absorvido pela planta em sua parte aérea e por suas raízes. Quando o solo apresenta um excesso de umidade, a absorção de O2 pelas raízes e microorganismos aeróbicos é dificultada, resultando na produção de álcool, o qual é lesivo aos tecidos vegetais. Essa situação de anaerobiose também provoca um aumento de manganês e ferro em formas mais solúveis, resultando em aumento da toxidez do solo e diminuição da fixação de fósforo do solo pela planta.

Outra situação de stress nesse contexto é quando o excesso de umidade se prolonga por períodos maiores provocando o ponto de murcha permanente da pastagem, que significa o momento em que a planta não consegue mais absorver a água do solo e entra em estado de murcha, podendo vir a morrer.

 

 4. COMO O EXCESSO DE ADUBO NITROGENADO PROVOCA STRESS NA PASTAGEM?

Os capins têm níveis de resposta à fertilização do solo conforme a espécie e a cultivar no qual são enquadrados e à quantidade de adubo que recebem. Capins como o elefante, braquiarão, colonião foram estudados e avalizados conforme sua capacidade de resposta à adubação nitrogenada, e apresentaram um comportamento semelhante com aumento de produção de matéria seca por hectare diretamente proporcional à adubação de até 600kg de nitrogênio por hectare por ano no sequeiro (sem irrigação). Acima dessa quantidade de nitrogênio os capins apresentaram uma diminuirão da produtividade devido ao stress fisiológico, tornando o sistema menos eficiente financeiramente.

 

5. COMO IDENTIFICAR UMA PASTAGEM COM STRESS?

A identificação da pastagem com stress fisiológico se pauta na observância dos fatores causais. No caso do excesso de umidade verificar se há lâmina de água sobre o solo, e qual a constância. Em pastagens irrigadas, a percepção do stress por excesso de água pode ser mais tênue, porque nem sempre ocorre a lâmina de água sobre o solo. No entanto, se a quantidade de água aplicada estiver acima da capacidade de absorção da planta, isso vai gerar menor produtividade do sistema.

O stress por excesso de adubação nitrogenada pode ser identificado através da somatória da quantidade de adubo aplicado por ano, fazendo a correlação com o capim em questão.

 

6. EXISTE ALGUM TIPO DE PASTAGEM MAIS ADEQUADA A ESSES FATORES DE STRESS? QUAIS?

No caso de excesso de umidade existem capins com caracteres agronômicos mais adaptados a essa condição, apresentando seu sistema radicular com maior tolerância à anaerobiose e mais eficiência na absorção de oxigênio. Alguns desses capins são: humidícola, setária, pojuca, bengo e dyctioneura.

Já para o excesso de nitrogênio os capins mais indicados são aqueles que apresentam uma alta produtividade comprovada. Alguns deles são: tifton, elefante, mombaça, tanzânia, colonião, braquiarão e braquiária MG-5.

 

7. TEM ALGUM TIPO DE STRESS DA PLANTA POR FALTA DE ALGUM NUTRIENTE?

Sim. A falta de fertilidade no solo pode provocar stress na planta por inibir seu desenvolvimento normal. As faltas mais comuns são dos macronutrientes como fósforo, potássio, nitrogênio, cálcio e enxofre. No entanto, os micronutrientes como: zinco e boro são também são muito importantes para um bom desempenho das plantas forrageiras. A falta de qualquer um desses nutrientes pode desequilibrar o sistema gerando um stress fisiológico com a conseqüência de menor produtividade.

A falta de umidade também traz uma situação de stress para a planta, uma vez que é a água que realiza o transporte dos nutrientes dentro da planta. E quando ocorre déficit hídrico a planta entra no processo de murcha, secando sua parte aérea, e posteriormente até suas raízes. Esse mecanismo na maioria das vezes é reversível, ou seja, na presença de água, a planta volta a rebrotar.

 

Revista Sindicato Rural de Uberlândia, setembro de 2008.

 

Marco Aurélio Nunes

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios

Médico Veterinário, Especialista em Produção de Ruminantes e em Gerenciamento de Projetos

marcoaurelio@marcorural.com.br

(34) 3210-7646







 

 

 

 

 

 







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