Entrevistas

03/11/2009

Uma Fábrica de Ração na Fazenda

Está em construção em Rondônia, no município de Ariquemes, o maior  ,projeto de fábrica de ração para autoconsumo do Brasil. Com investimentos de R$ 15 milhões e previsão para começar a operar em junho de 2010, a fábrica integra-se ao projeto de confinamento da Agropecuária Nova Vida, administrada pelos proprietários e irmãos Ricardo e João Arantes, que tem como meta engordar 40 mil bois por ano, em duas etapas.

 

"Não existe similar no País. A fábrica é totalmente customizada para as necessidades da fazenda, com todos os aspectos planejados, desde a recepção, armazenagem, processamento e expedição", informa o consultor Marco Aurélio Nunes, diretor de projetos do Banco JBS. Cada processo que compõe o empreendimento incorporou a necessidade de suprir deficiências em geral constatadas nesse tipo de projeto. A expedição dos produtos, por exemplo, é elevada, o que possibilita a descarga do farelo de milho, de sorgo, de soja, e de algodão diretamente no vagão forrageiro.

 

"Nos modelos usuais de fábrica, em operação na maioria dos confinamentos, o sistema de armazenagem utilizado é muito deficiente - no chão batido, coberto por lona plástica, ou em baias de alvenaria; necessita de pá carregadeira para efetuar o carregamento do vagão forrageiro. Os equipamentos para processamento dos insumos - moinhos, elevadores de canecas, balanças, pré-limpeza e silos controladores de fluxo - são subdimensionados, ou seja, não foram devidamente planejados", afirma Marco Aurélio

 

A estrutura de armazenagem de grãos e a produção de volumosos foram calculados para prover alimento a 40 mil bois por ano (veja no quadro). São dois grandes silos, que vão receber 14.300 toneladas de milho ou sorgo por ano, além de silos menores para farelo de soja, farelo de algodão, e espaço para armazenagem de caroço de algodão, ureia e minerais.

 

Uma tal capacidade de armazenagem atende à especificidade do empreendimento, que vai alimentar o gado confinando de acordo com a dieta do tipo "alto grão", pela qual os grãos respondem por 70% do consumo diário, complementado por 30% de volumosos. Nos dois primeiros anos, os 30% de volumosos serão de silagem de sorgo e, depois, silagem de cana-de-açúcar. Outro motivo é que a Nova Vida comprará milho e sorgo no período da safra, quando os preços sao mais baixos, Tudo foi planejado com base em estudo logístico da região de Rondônia e Mato Grosso, que reúne informações sobre localização, quantidades e preços dos principais insumos.

 

"A fábrica vai contar com um secador  de grãos para reduzir umidade a níveis que não comprometam a estocagem”, informa o consultor. Um sistema de automação digital será operado nas etapas que respondem epla recepção dos grãos, por seu processamento, armazenagem e expedição na forma de ração concentrada, com saída direta para o vagão do caminhão forrageir, que fará a distribuição nos cochos, em horários pré-estabelecidos, para assegurar o equilíbrio entre o excesso e a falta de alimentos.

 

“Alimento em excesso não significa maior ganho de peso. Ao fermentar no cocho, o alimento deixa de ser palatável, e os animais passam a comer menos”, diz Marco Aurélio. O peso à entrada dos animais no confinamento será de 360 kg (12@) e, após 90 dias, o peso à saída deverá alcançar 500 kg (18@, com rendimento de carcaça de 54%.

 

Múltiplo de dez mil – De acordo com estudos realizados por Marco Aurélio, para grandes confinamentos o número ideal de animais deve ser um múltiplo de 10 mil cabeças. “Dessa forma, obtém-se a melhor relação benefício/custo, principalmente no quesito máquinas, implementos e veículos, que representam 20,47% do investimento total do projeto”, explica. O superdimensionamento das máquinas aumenta o custo total do investimento, além de elevar o custo da manutenção e abrir espaço para a ociosidade. Já o subdimensionamento leva a uma baixa eficiência nas operações, principalmente, na distribuição dos alimentos e no cumprimento dos horários de arraçoamento.

 

No caso do projeto da Agropecuaria Nova Vida, as máquinas foram dimensionadas a partir de suas especificações de potencia, capacidade de carga, processamento e desempenho. Entre elas, incluem-se tratores para plantio e colheita de volumosos, caminhões como vagao forrageiro para distribuição da dieta, caminhões para transporte de volumosos da lavoura até a fábrica de ração, pá carregadeira para carregamento  dos vagões forrageiros, ensiladeiras, carretas de trator, carreta de transporte de gado, distribuidor de fertilizantes, camionetas a ser utilizada pelo gerente da fazenda até o sulcador de solo para plantar cana”, informa o diretor de Projetos do Banco JBS.

 

A partir do inicio do confinamento definirá as recomendações técnicas para a operação da fábrica de rações, aquisição dos insumos, formulação e fornecimento da dieta, estabelecimento de um protocolo sanitário, entre outras atividades operacionais. Os proprietários, que deverão trabalhar com animais próprios e rastreados, não pretendem vender raçao para terceiros nem implantar um boitel. O empreendimento está em vias de pleitear a certificação como Estabelecimento Rural Aprovado no Sisbov (Eras).

 

Para onde vão os investimentos

A fábrica de ração absorverá a maior parte dos recursos 

Infra-Estrutura

Representatividade %

Fábrica de Ração

31,59

Máquinas, Implementos e Veículos

20,47

Formação Lavoura de Sorgo 1.000 ha

17,83

Curral de Confinamento

13,77

Formação de Lavoura de Cana 500 ha

10,67

Silos de Volumosos

3,19

Curral de Manejo

0,95

Balança Rodoviária

1,01

Escritório e Almoxerifado

0,47

Portaria

0,04

Esterqueira

0,01

Total

100,00

 

 

Capacidade de Processamento

Milho e sorgo pelas maiores tonelagens 

Insumos

t/semana

t/quinzena

t/mensal

Milho / Sorgo (silos)

747,83

1.602,49

3.204,98

Farelo de Soja / Algodão (silos)

166,18

356,11

712,22

Caroço de Algodão (barracão)

319,59

684,83

1.369,65

Núcleo Mineral (produzido fazenda)

38,35

82,18

164,36

Ureia (ensacado)

6,39

13,70

27,39

A planilha define a necessidade de equipamentos pela ótica da operação da fábrica. Como, por exemplo, a capacidade de moinho de processar o milho de acordo com a demanda.

 

Fonte: Revista DBO Rural, novembro de 2009

Por Gualberto Vita

 

Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646








 

 

 

 

 

 







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