Entrevistas

02/09/2009

Gestão de Máquinas

Qual a participação das máquinas nesse custo? Em geral, não é fácil obter-se a resposta para tais perguntas porque na gestão não se faz a distinção entre ambos os tipos de gastos. Ocorre, porém, que, se os gastos com óleo diesel, lubrificantes, oficina, operadores de máquinas, repaios, manutenções, reforma de máquinas e outros forem imputados sem a devida discriminação, não se saberá com precisão o custo de cada área funcional da fazenda. O emprego do conceito de centros de custos permite visualizar com exatidão onde os recursos utilizados na produção estão sendo alocados - seja na distribuição de suplementos ou rações, seja nas pastagens e lavouras, seja na construção de cercas, entre outros.

 

Segundo informa Marco Aurélio Nunes, diretor de projetos da Marco Rural Cosnultoria em Agronegócios de Uberlândia, MG, têm sido adotados dois centros de custos macros: pecuária e máquinas. No centro de custo "máquinas" são alocados gastos como óleo diesel, manutenção e reparos, seguros, juros pagos nos financiamentos, salários e encargos sociais do operador, lubrificantes e pneus. Já no centro de custo "pecuária" são apropriados todos os demais gastos da fazenda, como a compra de animais, pastagens, suplementação, administração, mão-de-obra, assistência técnica, medicamentos veterinários, identificação, rastreabilidade, etc.

 

Dessa forma, a somatória das despesas do setor de máquinas é dividida pela hora-máquina trabalhada, quando da apropriação do valor real de custo do setor de pecuária, de modo que se possa apurar no final do exercício o número de horas consumidas e seus respectivos custos, por exemplo na distribuição de ração e do volumoso, ou na formação da pastagem.

 

"Essa configuração permite assumir que o setor de máquinas possa 'prestar serviços' ao setor de pecuária como sendo uma empresa fictícia dentro da fazenda, cujas receitas são iguais às despesas", esclarece Marco Aurélio. Gera-se maior economia graças à maior visibilidade na distribuição dos gastos nos diversos centros de custos que dependem da prestação de serviços dos tratores. Com o esse modelo em prática, toma-se possível intervir em alguma atividade que está gastando mais horas-máquina do que oprevisto, e identificar as causas dos desvios no planejamento (leia a tabela abaixo).

 

Outro benefício é a possibilidade de se identificar as máquinas que despendem mais nos quesitos consumo de combustíveis e manutenção, fatores que interferem diretamente no processo de aquisição dos futuros tratores e venda dos mais dispendiosos. O cálculo permitirá ainda uma comparação entre o custo da hora-máquina pertencente à fazenda e o custo da hora alugada de uma máquina equivalente. Se for vantajosa economicamente, o produtor pode optar pela terceirização.

 

O trabalho de consultoria para a implantação desse modelo de gestão, informa Marco Aurélio, tem início com o inventário das máquinas e implementos, seguido de sua respectiva identificação patrimonial. "Determina-se em seguida o plano de contas da fazenda, adotara-se as planilhas de controle de hora-máquina para cada trator e realiza-se a capacitação dos responsáveis pelas anotações e dos operadores", diz. Por fim, o administrador também é capacitado para coletar as informações, inseri-las no programa de gestão, que vai gerar dados para a gerência tomar as decisões.

 

O nível de detalhamento das informações e a confiabilidade dos dados estão diretamente ligados ao envolvimento dos funcionários. Por isso, as anotações de campo devem ser claras e coesas e os lançamentos de dados nas planilhas devem ser feitos com bastante atenção. "Informações pouco precisas produzem dados errados e por conseqüência decisões equivocadas", diz o consultor Marco Rural. A garantia de confiabilidade dos dados se dá mediante a capacitação da equipe e da conferência do horímetro do trator (marcador de horas - máquinas trabalhadas).

 

Como resultado, os funcionários tomam consciência da seriedade com que a fazenda gerencia o emprego das máquinas. "Isso desperta o senso de responsabilidade e comprometimento, pois se trata de uma eficiente forma de controle do trabalho das máquinas e dos operadores", conclui Marco Aurélio

 

Custo Horário de Máquinas Agrícolas

Custo Fixo

Depreciações

 

Depreciação Anual (R$/ano)

1.666,67

Depreciação Mensal (R$/mês)

138,89

Depreciação Horária (R$/HM)

1,29

Alojamento

Alojamento Máquinas Total (0,5% V. Novo – R$/ano)

425,00

Alojamento Máquinas / HM (0,5% V. Novo – R$/HM)

0,33

Seguros e Taxas

Seguro e Taxas (0,5% V. Novo – R$/ano)

0,00

Juros (Custo de Oportunidade)

Taxa de Juros (Moderfrota – a.a.)

11,25

Média do Valor da Máquina

35.000,00

Juros (R$/ano)

3.937,00

Juros (R$/HM)

3,05

Total Custo Fixo (R$ / HM)

4,67

Custo Variável

Combustível

Combustível – Fator de Consumo Médio Normal (FC) (L/cv.HM)

0,120

Combustível – Fator de Consumo com Implemento (FC) (L/cv.HM)

0,130

Combustível – Custo Óleo Dieses (R$/L)

2,163

Combustível – Consumo (L/HM)

9,75

Custo do Combustível (R$/HM)

21,09

Manutenção e Reparo (MR)

Fator de Cálculo MR (%)

100

MR Total (Vi x FCMR) (R$)

85.000,00

MR Total / Vida Útil (R$/ano)

6.861,00

MR Total / HM (R$/HM)

5,31

Mão-de-Obra (MO)

Salário Operador / mês

850,00

Encargos Salário Operador / mês

425,00

Custo Mensal (Salário + Encargos)

1.275,00

Custo Anual (Salário + Encargos)

15.300,00

Custo MO / HM (R$/HM)

11,85

Total Custo Variável (R$/HM)

38,25

Total Custo (F+V) (R$/HM)

42,92

 

Na ponta do lápis

Graças a determinação do custo da hora-máquina de um trator Valtra 785 4x4, ano 1999, pertencente ao produtor Egton Pajaro, da Fazenda Eldorado, de São Geraldo do Araguaia, no Pará, realizado pela Marco Rural, foi possível levantar o custo de formação dos pastos. É sabido que desse custo participam as despesas com o trator nas operações de gradagem e aplicação de herbicidas; os gastos com óleo diesel, manutenção e reparos durante o ano, além da ociosidade (dias parados, como domingos e feriados e manutenção).

 

"Na planilha estratificam-se os tipos de custos, com o que aumenta a visibilidade sobre a forma como se constitui o custo total da hora-máquina, que na ocasição ficou em R$ 42,92. Desse valor, 49,14% referem-se a combustível; 12,37%, manutenção e reparos; 27,61 %, mão-de-obra; 7,88%, pagamento de juros bancários; e 3%, depreciação da máquina", informa Marco Aurélio Nunes.

 

À vista desses resultados, o produtor paraense optou por não terceirizar a operação, já que o custo de serviço em sua região chega a R$ 55/HM. Outra decisão, propiciada pela maior visibilidade, foi a compra de um tanque de 5 mil litros para armazenar óleo diesel. "O reservatório garante o abastecimento durante três meses, gerando uma economia de R$ 0,21 por litro, ou 10% sobre o preço de venda na bomba", informa Marco Aurélio 

 

Fonte: Revista DBO Rural, setembro de 2009

Por Gualberto Vita

 

Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646








 

 

 

 

 

 







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