Entrevistas

18/01/2012

Terceirizações em Fazendas

Frente a um investimento como plantio de milho, inseminação ou mesmo a construção de uma nova instalação, o pecuarista tem duas opções: pode assumir todas as etapas de trabalho ou optar pela terceirização. Para decidir, o pecuarista precisa fazer uma análise de sua capacidade de produção, avaliação econômica do investimento e a pesquisa sobre a disponibilidade do prestador de serviço com competência.

 

O consultor Marco Aurélio Nunes, da Marco Rural, de Uberlândia, MG, lembra que a opção pela terceirização pode ser interessante para os mais diversos processos, desde a construção de uma cerca, até etapas complexas como a produção de bezerros. “A terceirização é uma alternativa muito utilizada. Cada produtor precisa se especializar no que faz de melhor. Imagine se as montadoras de veículos decidissem produzir todas as peças de seus carros. O risco e a quantidade de trabalho seriam muito maiores”, compara com o setor automobilístico.

 

Contrário às análises simplistas, não é apenas o custo que determinará a opção pela terceirização. O consultor diz que o aspecto econômico responde por apenas 25% do peso na tomada de decisão. “A questão estratégica é a que mais pode afetar a decisão” e cita como exemplo fatores inerentes à capacitação, como custo de estruturação para produção, expertise, risco de produção, tempo gasto entre outros.

 

Para facilitar a tomada de decisão, Nunes adaptou para o meio rural uma matriz de gestão empresarial, chamada de “make or buy”, que significa “fazer ou comprar”. Para utilizá-la o pecuarista deve questionar o risco estratégico da terceirização e a qualificação da fazenda em relação ao melhor fornecedor. A resposta se encaixará em uma das quatro possíveis situações:

 

*Se o risco estratégico da terceirização for alto, pela falta de serviço na região ou pela baixa capacidade dos prestadores de serviço e, ao mesmo tempo, há qualificação interna, a melhor opção será assumir a tarefa e não terceirizar.

 

*No caso do risco da terceirização ser baixo, pela disponibilidade do serviço, e mesmo assim houver qualificação interna; serão as análises de custos que apontarão o melhor caminho. Qual alternativa se mostrar mais econômica deve ser encampada.

 

*Haverá casos em que a qualificação interna não é suficiente e o risco de terceirização na região será alto. O melhor a fazer é investir na capacitação da equipe e das instalações para atingir nível superior de excelência e assumir a tarefa. Alternativa poderá ser a escolha de um prestador de serviço, porém, com a segurança de estabelecer um contrato complexo entre as partes. O acordo deve contemplar todas as possíveis falhas para isentar a fazenda de problemas futuros e garantir os resultados.

 

*Para o caso cuja qualificação interna é baixa e os prestadores de serviços se mostram eficientes, o produtor não deve ter receio em optar pela terceirização.

 

Casos de terceirização

 

Na fazenda Água Limpa, em Uberlândia, MG, o pecuarista José Eduardo Ferreira Netto, dividia os 5.000 ha disponíveis em 3.500 ha para lavoura e outros 1.500 ha para recria de bezerros e garrotes. Após análise, a decisão foi por centralizar as atividades de pecuária na fazenda e terceirizar a produção de grãos. Marco Aurélio Nunes, da Marco Rural, comenta que “a demanda operacional e financeira para a produção de grãos estava comprometendo a atividade principal”. Em 2007, quando o milho foi colhido a um custo de R$ 19,50 a saca, o mesmo produto era encontrado no mercado por R$ 15,00 a saca. Além disso, como a área estava sendo utilizada pela agricultura, em épocas de excedente de gado, cerca de 4.500 cabeças tinham de ser alocadas em pastos arrendados. “Tínhamos qualificação e baixo risco na terceirização. A análise de custos nos mostrou que fazer contratos com agricultores seria a melhor alternativa”, comenta. Com a terceirização da lavoura, houve economia pelo menor custo de produção e também redução de gasto com aluguel de pasto que na época estava em R$ 12 cabeça/mês.

 

O consultor ressalta que a decisão depende das particularidades de cada caso e do momento vivido pela empresa. Situação inversa foi vivenciada pelo produtor Ivan da Costa de Uberlândia, MG. O trabalho de recria e engorda e a produção de alimentos em pequena área (120 ha) limitava o rebanho para apenas 500 cabeças. Se optasse por terceirizar a produção de alimento, teria problemas em razão do custo do frete, por outro lado, a fazenda contava com capacitação e qualificação interna. Em parceria com a consultoria, o produtor optou por uma transformação. A fazenda, na totalidade, passou a ser usada para a produção de silagem e os bois foram levados para área arrendada. “O direcionamento aumentou a capacidade produtora em dez vezes. Foi possível produzir 3.600 toneladas de silagem, o que permite confinar até 3.500 bois”, diz Nunes. O confinamento de animais aumentou em sete vezes e para isso o pecuarista precisou arrendar área a um custo de 1,41@/cabeça/ano. “Desta forma, o pequeno transformou-se em um grande produtor”, avalia Nunes.

 

 

Outro lado – Há casos em que a qualificação interna é baixa e a alternativa está na contratação externa. Em São Geraldo do Araguaia, PA, com área de 13.000ha o trabalho de construção de cerca era feito pelos próprios funcionários da fazenda Eldorado. Na análise das variáveis, o proprietário Egton Pajaro viu que tinha uma equipe com baixo rendimento para esse tipo de serviço e na região havia disponibilidade de prestadores de serviço com competência. A opção foi pela terceirização da mão-de-obra o que reduziu os custos em 35%. Além disso, com a equipe especializada a produtividade dobrou, de 5 km de cerca ao mês para 10 km/mês.

 

Por processo de avaliação semelhante passou a fazenda Aragão, de Hely Tarquínio, em Patos de Minas, MG, que queria investir na inseminação artificial. Dentre as opções, além da falta de treinamento da equipe havia despesa de um botijão de inseminação (R$ 1.800), manutenção de nitrogênio (R$ 40/mês) e a compra de estoque de sêmen. Opção do pequeno produtor foi o cadastramento em uma cooperativa a 6 km da propriedade que se responsabiliza pela armazenagem do produto e atende o pecuarista de acordo com sua demanda. “Com a terceirização, ele diminuiu os custos de imobilização e operação”, ressalta Nunes.

 

Reporter: Flávia Tonin

Fonte: Revista DBO. maio de 2009

 

Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646








 

 

 

 

 

 







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