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22/03/2014

Adubação das Pastagens no Brasil

O Brasil tem uma área de pastagem de aproximadamente 200 milhões de hectares, e um efetivo bovino de 170 milhões de cabeças. No entanto, os índices produtivos desse segmento estão aquém do potencial. O nível de degradação e uso das pastagens juntamente com a taxa de desfrute do rebanho brasileiro mostra uma realidade de baixa utilização de tecnologias na produção de bovinos.

 

As novas tendências do agronegócio vêem mudar o cenário produtivo da fazenda de gado de corte e de gado de leite. Em 2004, a expansão da soja, dilatou as fronteiras da agricultura, que cresceu em terras dantes de pecuária. Agora, com os biocombustíveis, o quadro se acentua, e os produtores de bovinos têm um concorrente arrojado batendo à sua porta. Esta situação proporciona um novo posicionamento no mercado agropecuário, onde serão evidenciados aqueles que adotarem estratégias que os possibilitem permanecer produzindo. Não obstante, aqueles que não se adaptarem às novas regras do jogo, poderão sofrer as conseqüências.

 

Nesse contexto, a adubação das pastagens passa a ser uma aliada dos produtores de bovinos sendo uma importante geradora de produtividade. Essa, por agora, é a grande responsável por tornarem competitivas as atividades de produção de leite e carne.  Pois a rentabilidade dos negócios de oportunidade, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar são atrativas em relação ao sistema atual de produção bovina que apresenta índices zootécnicos incipientes com baixa taxa interna de retorno.

 

Vários são os fatores precursores de produtividade na bovinocultura, dentre os mais significativos estão: manejos de criação, sanidade, genética e suplementação. Ambos atuam em conjunto, ou simultaneamente, numa relação de causa e efeito. De forma que a sinergia entre esses fatores é que seria a otimização em produtividade por animal. No entanto, quando se realizam análises comparativas entre negócios do mesmo setor, tem-se a necessidade de padronizar a unidade comparativa, ou seja, no agronegócio é comum que essa unidade seja a rentabilidade por área (reais por hectare).

 

Assim, no planejamento estratégico das empresas rurais, os fatores geradores de aumento de produtividade por área deverão ser mais valorizados em relação àqueles que aumentam a produção por animal. Pois o impacto nos resultados econômicos torna-se mais substanciais, dando sustentação ao processo de forma a remunerar melhor o capital imobilizado em terras e em bens de produção.

 

Como exemplo analítico entre a importância da produtividade por área em relação à produtividade por animal tem-se a comparação entre a suplementação animal e a adubação das pastagens. Tomando-se como base a produtividade de 01 UA/ha (01 boi de 15@ por hectare) e um ganho em peso de 650 gramas / animal / dia, tem-se a tabela a seguir:

 

Produtividade

Taxa de Lotação Inicial (UA/ha)

Ganho de Peso por Animal Inicial (g/dia)

Mecanismo de Aumento de Produtividade

Taxa de Lotação Obtida (UA/ha)

Ganho de Peso por Animal Obtido (g/dia)

Aumento de Produtividade Alcançado

Por Animal

1,0

650

Suplementação

1,0

800

23,07%

Por Área

1,0

650

Adubação das Pastagens

4,0

650

400,00%

Por Animal e Por Área

1,0

650

Suplementação e Adubação

4,0

800

492,30%

                         Fonte: Ruralplan, 2007 - tabela didática.


A tabela nos evidencia a importância de compreendermos o impacto do mecanismo a adotar para incremento de produtividade de forma que as forças do processo produtivo sejam direcionadas para aqueles fatores que apresentam um bom retorno sobre o investimento, ou seja, que os benefícios sejam maiores que os custos inerentes.

Os objetivos da suplementação dos animais a pasto apresentam resultados considerados imprescindíveis no processo produtivo. No entanto, o aumento de produtividade alcançado é da ordem de 23,07% em relação ao sistema convencional (sal mineral). A suplementação adicional refere-se ao uso dos proteinados, que têm em sua composição os farelados (milho, soja, sorgo e polpa cítrica) além de uréia e minerais.

Os resultados obtidos com a adubação das pastagens sem suplementação incremental, foram da ordem de 400,00%, o que representa 17 vezes mais produção em relação ao sistema aonde adotou apenas a suplementação.

A sinergia entre a suplementação e a adubação das pastagens gerou um incremento de 492,30% sobre o sistema convencional, o que equivale, analogamente, a construir “05 andares” sobre a fazenda. Para tanto, é preciso realizar uma análise de viabilidade técnico-econômica de cada sistema para determinação de qual será o mais apropriado para cada fazenda. Entretanto, sabe-se que no cenário atual o fator escala de produção tem sido preponderante para a competitividade do agronegócio.

De acordo os resultados que estamos obtendo junto aos nossos clientes chegamos à conclusão de que a utilização adequada das pastagens através de sua intensificação, obviamente em consonância com todo o processo produtivo, vêm contribuir para aumentar a rentabilidade por área conferindo competitividade aos mesmos, perante aos demais segmentos do agronegócio.

 

Fonte: Revista Sindicato Rural de Uberlândia - outubro - 2007.

 

Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646








 

 

 

 

 

 







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