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22/03/2014

Influência da Nutrição na Reprodução de Bovinos

Dos 168 milhões de bovinos brasileiros, 137 milhões são de corte (81,5%), e 31 milhões são de leite (18,5%). E na composição do rebanho tem-se uma participação expressiva das vacas com 45%, ou seja, 75 milhões.

 

Desta forma, o desempenho reprodutivo do nosso rebanho passa a ter grande impacto na produção de bovinos, sendo o precursor e fomentador de toda a cadeia. Vários são os fatores que interferem sobre o desempenho reprodutivo de um rebanho, e os mais significativos são: manejos de criação, ambiente, genética, regime de amamentação, e nutrição.

No entanto, inúmeros trabalhos de pesquisa, têm demonstrado que o impacto do estado nutricional e metabólico do animal é um dos fatores mais preponderantes nas funções reprodutivas.

 

Quando segmentamos a nutrição dos bovinos em nutrientes, tem-se uma escala de importância, onde a energia é o principal nutriente requerido em vacas em reprodução, seguida da proteína, depois dos minerais, e por último das vitaminas e aditivos. O fornecimento inadequado de algum destes nutrientes na dieta, principalmente da energia, tem efeitos deletérios sobre a eficiência reprodutiva dessas fêmeas. Sendo que, vacas em balanço energético negativo apresentam menores níveis plasmáticos de glicose e hormônios da reprodução, causando alterações no funcionamento ovariano.

 

Não obstante, a proteína, os minerais, e as vitaminas são nutrientes essenciais para a eficiência reprodutiva com graus de importância diferenciados e específicos. De forma que, a manipulação adequada dos componentes da dieta, aliado às boas técnicas de manejo contribuem para melhorar o desempenho reprodutivo das fêmeas bovinas.

 

Os parâmetros de eficiência reprodutiva são características de baixa herdabilidade. Isso faz com que os componentes ambientais tenham uma maior interferência sobre o desempenho reprodutivo do que a seleção genética. Portanto, a eficiência reprodutiva de um rebanho, é altamente influenciada pelo manejo e pelo ambiente. Nesse aspecto, o manejo alimentar é um dos fatores ambientais de maior interação reprodutiva.

 

A concepção e manutenção da gestação das fêmeas bovinas são amplamente influenciadas pelo equilíbrio metabólico e endócrino. Por isso, o desbalanço nutricional causado pelas deficiências, ou pelos excessos reflete no desempenho reprodutivo das vacas. A tabela 01 mostra alguns dos possíveis impactos nutricionais sobre parâmetros reprodutivos de fêmeas bovinas.

 

Tabela 01. Deficiência, excesso ou desbalanço de nutrientes e parâmetros reprodutivos:

Parâmetro

Deficiência

Excesso

Desbalanço

Aborto, natimorto, bezerro debilitado

Energia, PB, I, Se, Ca, P, Mn, Cu, Vit. A, D, E

---

---

Anestro e redução nos sinais de cio

Energia, PB, P, I,  Mn, Co, Vit. A

F

---

Baixa concepção e mortalidade embrionária precoce

Energia, PB, I, Mn, Cu, Vit. A, D, E

PB, PDR

PB/energia

Distocia e complicações uterinas

Energia, Ca

Energia, P, Ca

Cátio-aniônico

Puberdade e maturidade sexual

Energia, PB, Se, I, P, Ca, Co, Cu, Mn, Cu, Vit. A, E

Mo, S

Cu/Mo-S

Distúrbios metabólicos que afetam o desempenho reprodutivo

Energia, Se, I, Mg, P, Ca, Co, Cu, Mn, Cu, Vit. E, A, D

Energia, PB, Ca, P

Cátio-aniônico

                                      Santos, J.E.P. (1998).

 

O escore da condição corporal (ECC) e a mudança de peso no período pós-parto têm relação direta com a eficiência reprodutiva. Vacas que perdem mais de 10% de seu peso entre o parto e a estação de monta, e apresentam escore inferior a 4,5 (escala de 1 a 9) ao parto, durante a estação de reprodução, podem ter o desempenho reprodutivo comprometido.

 

O aspecto físico da fêmea bovina relata a condição reprodutiva. Tanto o excesso como a falta de gordura pode prejudicar a fertilidade. O excesso impede o deslocamento do oócito pela tuba uterina para ser fecundado e prejudica o desenvolvimento de folículos. A deficiência em reservas não permite a ciclicidade, impede o aparecimento de cio pela diminuição na produção de hormônios esteróides em animais muito magros e causa índice considerável de morte embrionária até 45 dias após fecundação.

 

A escala de avaliação do ECC varia de 1 a 9 (gado de corte), sendo 01 dado a um animal extremamente magro, com ossos da costela , espinha e garupa muito proeminentes; e 09 é dado a um animal muito gordo, com maça do peito proeminente e com bastante gordura, inserção de cauda gorda, sendo que a estrutura óssea de todo o animal não é visível nem sentida. Na avaliação os pontos mais importantes a serem visualizados são as costelas, a base da cauda, maçã do peito, tuberosidade coxal e isquiática.

 

O ECC permite o planejamento do plano nutricional oferecido às vacas de cria. Desta forma as vacas devem ser avaliadas nos períodos críticos de suas vidas reprodutivas. Como no pré e pós-parto e na estação de monta.

 

Como parâmetros, podemos considerar recomendado no parto um ECC de pelo menos 05 para assegurar uma reserva adequada de nutrientes para um bom desempenho reprodutivo no pós-parto.

 

Uma outra ferramenta que pode auxiliar no manejo reprodutivo – nutricional é a estação de monta. Esta visa facilitar o manejo global da propriedade e consiste no estímulo da tendência natural de um grande aumento da ciclagem das fêmeas quando estas experimentam uma melhora nas condições de alimentação, o que ocorre naturalmente todo início de chuvas com a rebrota das pastagens.

A estação cujos estudos demonstram maiores taxas de prenhez é a estação de verão, que vai do início das chuvas que varia de novembro a fevereiro; concentrando os partos de agosto a dezembro, no final da seca, favorecendo o desenvolvimento dos bezerros que dependem muito do leite nos primeiros quatro meses e tem pasto verde no quinto, sexto mês e desmama para ter seu potencial bem aproveitado.

Uma observação é a de que os bezerros nascidos no início da estação de monta (agosto), serão os que apresentarão melhor desenvolvimento e as fêmeas terão maior chance de entrar na sua primeira estação de monta aos 14 meses, enquanto os machos podem ir ao abate mais cedo.

 

A estação de monta evita que a vaca passe a seca com o bezerro ao pé, além de concentrar os nascimentos e facilitar o manejo maximizando o uso dos touros e planejamento na fazenda.

 

Assim, vimos que um plano nutricional adequado às exigências das vacas, aliado ao acompanhamento do ECC, e ainda a adoção da estação de monta são práticas que trarão respostas positivas ao índice reprodutivo do rebanho.

 

Fonte: Revista Sindicato Rural de Uberlândia - novembro - 2007.

 

Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646







 

 

 

 

 

 







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