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22/03/2014

Reforma e Recuperação das Pastagens Brasileiras

Dos 200 milhões de hectares de pastagens brasileiras, aproximadamente 160 milhões (80%) estão em algum estágio de degradação, devido a diferentes causas que invariavelmente repercutem os erros do plantio e/ou do manejo das mesmas. Trazendo como conseqüência os baixos índices de produtividade e rentabilidade da pecuária nacional, a qual apresenta baixas taxas de lotação, e de desfrute, e com isso custos de produção elevados, o que retrata um sistema pouco competitivo em relação ao mercado atual.

 

Esse contexto é o reflexo dos modelos de produção e gestão vigentes, com baixa utilização de tecnologias. Tornando o tema de reforma e recuperação de pastagens no Brasil evidente e importante nos cursos, palestras e dias de campo. Sob uma ótica educativa, teríamos que dar maior ênfase no plantio e manejo das pastagens, pois o uso correto dessas tecnologias confere às pastagens um conceito de perenidade e produtividade, sem a necessidade de fazer de novo, ou seja, reformar ou recuperar.

 

As perspectivas para a produção de bovinos no Brasil são promissoras. Tendo em vista os dados do IBGE (2007) que apontam um crescimento vegetativo da população brasileira de 1,5% ao ano e um aumento do poder aquisitivo de 2,5% ao ano. Numa prospecção para cinco anos, ou seja, para 2012, ter-se-á um aumento no consumo de carne e leite da ordem de 20,0% (4,0% ao ano).

Volume suficiente para incentivar o segmento. Não obstante, evidencia-se a importância das pastagens, no que tange a formação, recuperação, reforma e manejo para gerar sustentação do sistema, uma vez que as pastagens constituem a matéria prima principal para a produção de bovinos no Brasil.

 

Desta forma, torna-se necessária a identificação e diagnóstico do estágio de degradação das pastagens para análise técnico-financeira entre as opções de reforma ou recuperação. Os critérios para tomada de decisão estão assim dispostos:

 

Recuperar:

- Áreas menores do que 02 a 03m2 com ausência de plantas da pastagem de interesse;

- Existência de pelo menos 01 touceira/m2 para colonião ou capim elefante e pelo menos 02 plantas/m2 para braquiárias;

- Necessidade de obter uma rápida oferta de forragem.

 

Reformar:

- Áreas com solo exposto ou coberto por plantas daninhas maiores do que 02 a 03m2;

- Vários locais com áreas de 01m2 com ausência de pastagem;

- Necessidade de troca da espécie forrageira;

- Quando não é possível recuperar.

 

O esquema 01 nos mostra as fases evolutivas da degradação da pastagem no decorrer do tempo. Utilizando-se desse esquema didático e dos critérios citados anteriormente, têm-se condições de definir entre recuperar ou reformar uma pastagem. Em seguida determinam-se os métodos ou práticas a serem utilizadas. No caso da recuperação, o uso de herbicidas, inseticidas, roçadeiras, corretivos de solo e fertilizantes são os mais comuns, além da adequação do manejo das pastagens.

Para realizar-se a reforma, as opções são: lavoura de capim (cultivo exclusivo da forrageira de interesse) ou integração lavoura-pecuária através dos Sistemas Barreirão ou Santa Fé (cultivo de capim em conjunto com outras culturas, como o milho, sorgo e arroz).

A partir da formação das pastagens tem-se que, definitivamente, estabelecer diretrizes consistentes de uso das mesmas para garantir o êxito da atividade. Para tanto, a divisão das pastagens através de um projeto de pastejo rotacionado, locação das aguadas e dos saleiros e a intensificação da produção são estratégias indispensáveis para o posicionamento dos produtores frente ao mercado altamente competitivo, que tem como principais concorrentes a cana-de-açúcar, a soja, o milho, o sorgo e o algodão.

 

Fonte: Revista InteRural - outubro de 2007.

 

Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646







 

 

 

 

 

 







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