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18/01/2012

Podridão dos Cascos: Pododermatite Bovina

A produção de bovinos no Brasil apresentou um crescimento de 11,0% (IBGE, 2007), nos últimos 10 anos, fechando o ano de 2007 com os preços da arroba e do leite em alta e ainda num cenário promissor para os próximos anos, no que tange a demanda desses dois produtos.

No entanto, enfrenta alguns problemas que podem comprometer a rentabilidade dos produtores devido à diminuição do desempenho dos animais. Nesse âmbito temos desde o gerenciamento da fazenda, a nutrição, o manejo das pastagens, a reprodução, os manejos de criação e a sanidade.

Esse último, muitas vezes tem sido pouco considerado por muitos pecuaristas, e por isso, impactado negativamente no desempenho da bovinocultura. Especialmente quando as afecções dos cascos estão presentes no rebanho provocando infecções e inflamações que têm como conseqüência inicial a dor e a claudicação (manqueira), e na seqüência a diminuição de produção de leite, do ganho de peso, e da fertilidade reprodutiva, uma vez que esta dor e a claudicação inibem a locomoção e a alimentação dos animais.

 

A incidência média das afecções de casco no gado de corte está entre 5,0 a 20,0% ao ano, e no gado leiteiro a ocorrência é de 15,0% a 35,0%. Quando o ideal seria 3,0% e 12%, respectivamente. Essas diferenças se devem, principalmente, aos sistemas de produção (intensivo ou extensivo) e às raças adotadas (européias ou zebuínas). Nos sistemas intensivos de produção, que contemplam o confinamento completo do animal, o percentual de ocorrências é maior, assim como aqueles sistemas, cujas raças predominantes são européias, ou seja, Simental, Aberdeen Angus, Charolês, Pardo Suíça e Holandesa.

Além do sistema de produção e das raças, a origem das pododermatites ou podridão de casco também está relacionada ao desenvolvimento ósseo, articulações (artrites e artroses dos membros inferiores), ausência de casqueamento preventivo, pisos irregulares, úmidos e ásperos. Tudo isso pode provocar um crescimento irregular das unhas, desgaste excessivo e perfuração da sola, formação de abscessos e necroses.

 

Outro importante fator predisponente à pododermatite é a acidose ruminal, que é uma afecção clássica do sistema digestivo causada por um desbalanço nutricional, onde geralmente o excesso de carboidratos e a baixa concentração de tamponantes como o bicarbonato de sódio, provocam uma inflamação nas lâminas do casco denominada laminite.

 

O amplo emprego das tecnologias para o melhoramento genético, principalmente a inseminação artificial, que por muito tempo, direciona seus objetivos para aumento de performance produtiva, deixando a conformação dos aprumos (pernas, pés e cascos) em segundo plano têm contribuído para agravar as afecções de casco.

O melhoramento genético gerou excelentes animais produtores de carne ou leite, porém com aprumos incompatíveis com o desempenho. Isso trouxe como conseqüência uma frustração técnica e financeira, pois todo o esforço aplicado para aumentar a produtividade está sendo revisto, uma vez que a mesma se apóia sobre os cascos.

 

Desta forma, a conscientização sobre a importância técnico-econômica da pododermatite bovina é imprescindível para todos envolvidos com o setor produtivo, pois os danos são relevantes e custam caro ao sistema, pois de uma forma prática, impactam em aumento de mão-de-obra e assistência veterinária, aumento dos gastos com medicamentos, atrasos na concepção (prenhes), aumento dos descartes e das mortes de animais, diminuição da produção de leite e carne, e por fim diminuição da rentabilidade.

 

Para evitar perdas com a podridão dos cascos é preciso adotar um controle sobre as ocorrências da doença, realizando uma observação permanente por parte dos vaqueiros, o que possibilita o diagnóstico e o tratamento preventivo, diminuindo os casos graves que geram intervenções mais especializadas e onerosas.

O tratamento preventivo está pautado em realizar o casqueamento dos animais que apresentam alguma inconformidade nos cascos. Assim, o tratamento pode ser feito com base nos seguintes procedimentos:

- eliminar os fatores causais (diretos ou indiretos como a dieta);

- contenção adequada do animal;

- sedar o animal (se necessário);

- limpar e higienizar o casco;

- remoção dos tecidos mortos e necrosados;

- anestesia local (se necessário);

- aparar o casco (modelando o casco);

- proteger a unha doente (faixas na unha doente e tamancos de madeira na unha sadia);

- cauterização de feridas ou bandagem com sulfato de cobre;

- uso de antimicrobianos locais e injetáveis (se necessário);

- uso de antiinflamatórios (se necessário);

- troca de curativos;

- acompanhamento pós-cirúrgico.

 

Portanto, para otimizar o desempenho produtivo aliado aos resultados econômicos, tem-se que adotar uma programa de controle, prevenção, diagnóstico, e tratamento dos cascos, envolvendo a minimização das causas, e aprimorando e implementando as práticas de manejo adequadas.

 

Fonte:  Revista Sindicato Rural de Uberlândia - janeiro de 2008.

 

Marco Aurélio Nunes

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP

Veterinário pela UFU

marcoaurelio@marcorural.com.br

(34) 3210-7646







 

 

 

 

 

 







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