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18/01/2012

Cigarrinha das Pastagens

A produção de bovinos no Brasil tem com base as pastagens, com aproximadamente 97,0% do rebanho sendo criado, recriado e engordado nos sistemas semi-intensivo e extensivo. No verão chuvoso as pastagens produzem de 80,0 a 90,0% do total anual da massa de forragem, e é nesse período que se dá a maior produtividade animal, seja carne, leite ou lã. No entanto, junto com a satisfação da chegada das chuvas, vem também a preocupação com as pragas e doenças que acometem as pastagens nessa fase.

 

A cigarrinha das pastagens constitui uma praga importante nesse sistema de produção, pois têm infestado pastos em todo o Brasil causando prejuízm infestado pastos de todo o Brasil causando preju tja leite, carne ou l dezos consideráveis. O fator mais agravante para a manifestação dessa praga é a degradação das pastagens, causada por técnicas inadequadas de formação e manejo, baixa fertilidade do solo, monocultura de capins e utilização de capins susceptíveis em áreas com histórico da praga.

 

Estima-se que aproximadamente 10 milhões de hectares têm uma incidência considerada moderada a alta, provocando prejuízo de até 100,0%, dependendo das espécies das cigarrinhas, das condições climáticas, dos capins, e do manejo da gramínea.

 

A ação das cigarrinhas tem início na fase de ninfa, quando está protegida por uma espuma na base do capim, de onde suga sua seiva. E continua sua agressão à planta, na fase adulta, sugando a seiva das folhas e injetando toxinas, o que causa uma “queima” das folhas com progressiva desidratação e escurecimento, podendo ser irreversível, nos casos de maior infestação.

 

As principais espécies de cigarrinhas das pastagens são: Deois flavopicta, Deois schach e Zulia entreriana. E para a cultura da cana-de-açúcar a espécie mais comum é a Mahanarva fimbriolata.

 

O ciclo de vida das cigarrinhas caracteriza-se por gerações, sendo que a primeira geração ocorre com aproximadamente 30 dias após o início das chuvas, e as gerações subseqüentes (segunda e terceira) com um intervalo de 60 dias uma da outra. Estas gerações são identificadas por um pico de quantidade de insetos adultos presentes na área, ou seja, a cada pico considera-se uma geração. Portanto, nas regiões do Brasil Central, onde as chuvas iniciam-se nos meses de outubro a novembro, a primeira geração ocorrerá em dezembro, a segunda geração em fevereiro e a terceira em final de março a início de abril.

 

A partir dessa característica das gerações é que se orienta o combate ou controle dessa praga. A primeira geração é caracterizada por poucos ovos, ninfas e adultos. No entanto, será a partir dela que se pode prever a intensidade das gerações seguintes. Por isso o controle químico é recomendado na a primeira geração, com inseticidas específicos, objetivando minimizar a proliferação e reprodução da praga.

 

Quando o controle for realizado nos meses de fevereiro a abril, ou seja, na segunda e terceira geração, o mais indicado é o controle microbiano com fungos entomopatogênicos (Metharhizium anisopliae).

 

No entanto, essas medidas de controle feitas isoladas, possivelmente não surtirão o efeito desejado, pois a área pode ficar susceptível a uma nova infestação. Por isso, é necessário adotar um manejo adequado das pastagens de forma que a mesma esteja vigora. É preciso também que as reservas florestais sejam mantidas para balancear o ecossistema, pois assim a presença dos pássaros contribuirá muito, uma vez que são os maiores predadores dessa praga. E ainda, proporcionar uma variabilidade dos capins, de forma a ter no mínimo 30,0% de forrageiras resistentes à praga para as regiões aonde as infestações são mais moderadas, e no mínimo 80,0% para as regiões aonde as infestações são mais severas.

 

Assim, para realizar um controle eficaz da cigarrinha das pastagens faz-se necessário adotar um programa integrado de manejo da praga, pois a somatória dos resultados de cada método propiciará um equilíbrio do ecossistema, viabilizando a produção animal com índices zootécnicos e financeiros satisfatórios.

 

Fonte:  Revista Sindicato Rural de Uberlândia - março de 2008


Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br

(34) 3210-7646







 

 

 

 

 

 







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