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24/07/2014

Financiamentos e a Produção de Bovinos de Corte

Quanto dinheiro você precisa para a sua fazenda?

 

O cenário atual das fazendas produtoras de bovinos de corte é de baixo planejamento estratégico. O que gera como consequência uma menor visibilidade da gestão dos negócios, dos fatores de custo da arroba ou bezerro produzido, do mercado, e das necessidades financeiras num horizonte amplo.

 

Isso se deve à cultura herdada desse segmento. No entanto, nesses últimos cinco anos está ocorrendo um movimento de profissionalização que tem por finalidade promover o processo de gestão das fazendas ao patamar empresarial.

 

Uma das vertentes desse movimento de profissionalização da pecuária de corte é a mudança na abordagem sobre o financiamento da produção. Outrora víamos os empréstimos financeiros como vilões do processo produtivo, sob a ótica do pagamento de juros e consequente diminuição das margens de lucro da atividade.

 

No entanto, quando se colocam os financiamentos para trabalhar a favor dos pecuaristas, tem-se a promoção dos resultados da fazenda, otimizando o capital imobilizado em terra, em bens de produção e animais, além da diminuição dos custos fixos e variáveis de forma a transformar a produção de bovinos de corte em um negócio bastante atrativo e competitivo no agronegócio.

 

Financiamento com prudência e planejamento!

 

Em se tratando de financiamento é bom ressaltar que a prudência é muito importante, devendo pois, fazer operações financeiras pautadas em um planejamento bem estruturado, uma vez que os empréstimos financeiros podem apresentar duas forças opostas na fazenda: a de alavancar o negócio ou a de deprimi-lo.

 

Depende apenas do posicionamento que se assume em relação ao financiamento para escolher a alavancagem dos negócios em detrimento à depressão.

 

O melhor momento para formar o crédito da fazenda é quando não se precisa de dinheiro!

 

A maioria dos casos de financiamento é para clientes que estão com uma necessidade urgente ou nessa eminência. Desta forma, o potencial de análise e de negociação das condições do financiamento é diminuído ou nulo.

 

Muitos negócios não tem continuidade, em fazendas que pareciam muito bem organizadas e promissoras, devido a não gestão do fluxo de caixa, uma vez que a pecuária tem a particularidade da concentração das receitas conforme a sazonalidade de produção. Isso não deprecia o negócio, no entanto, precisa ser planejado e gerenciado.

 

Quando se tem crédito e relacionamento no mercado financeiro, a agilidade e acessibilidade aos recursos necessários para a continuidade da operação e para a consolidação do negócio são muito maiores. Por isso, o melhor momento para formar o crédito da fazenda no mercado financeiro é quando não se precisa de dinheiro.

 

Financiamento, até quando não precisa?

 

Até quando não se tem uma necessidade real de crédito o pecuarista pode-se valer dos benefícios de produtor rural tomando financiamento a juros subsidiados (4,00 a 8,75% ao ano) de forma a utilizar esse recurso diretamente na atividade e investir os seus recursos próprios em aplicações financeiras lastreadas no agronegócio, como a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) que remunera de 100,00 até 115,00% do CDI, valor equivalente de 11,75 a 13,50% ao ano, além de não pagar imposto de renda e não incidir o IOF.

 

As vantagens de fazer essa operação são três:

 

1. Ganho financeiro da diferença dos juros do empréstimo em relação à aplicação;

 

2. Utilizar do dinheiro de um terceiro e ter a disponibilidade do recurso próprio aplicado pronto para ser utilizado numa oportunidade de negócio ou eventualidade;

 

3. Fazer relacionamento e histórico de crédito com os bancos. O relacionamento de negócios com as pessoas envolvidas nas operações de crédito é muito importante, assim como os financiamentos realizados geram histórico de volumes financeiros negociados, adimplência e pontualidade de pagamento. Esses fatores vão favorecer nas novas operações financeiras.

 

Como financiar minha fazenda e colocar os financiamentos a meu favor?

 

A orientação moderna sobre financiamento pecuário tem como base os 06 pontos a seguir:

 

1. Desenvolver o Plano de Negócios:

O Plano de Negócios da Fazenda é o primeiro passo para colocar os financiamentos a favor do pecuarista. Seu desenvolvimento determina o modelo de negócio, bem como a estratégia de produção dos bovinos para atingir os objetivos e as metas de volume de produção, de prazos, de remuneração, entre outras. Também é no plano que se demonstra como a fazenda será gerenciada a partir da Estrutura Organizacional com os respectivos cargos e funções abordando todos os fatores de produção e de custo, além do Plano Financeiro.

 

Quando não se desenvolve o Plano de Negócios, é muito comum passar despercebido e não considerar os custos com pró-labore, despesas administrativas, e alguns investimentos iniciais. Isso pode prejudicar sobremaneira os resultados da fazenda, comprometer o pagamento dos financiamentos e a continuidade do negócio.

 

2. Desenvolver o Plano Financeiro:

 

O Plano Financeiro faz parte do Plano de Negócios. Em se tratando de financiamento, esse ponto passa a ter maior importância e precisa ser bem estruturado para consolidar a estratégia de produção da fazenda e elucidar o negócio numa linguagem que o mercado financeiro compreenda, colocando a fazenda como potencial e preferencial cliente.

 

No Plano Financeiro determinam-se os investimentos para o início do Projeto, as receitas previstas, as despesas operacionais, e o cronograma físico-financeiro. Com essas premissas é possível identificar as necessidades de financiamento para o negócio em termos de volume e época. Essa definição gera conforto e precisão para o pecuarista, pois terá a certeza de estar tomando emprestado o volume certo, na melhor época, e pelo prazo que o Projeto precisa.

 

Além de demonstrar seriedade e segurança para instituição financeira, que tem um cliente com Plano de Negócios consistente no padrão empresarial. Isso diminui a tensão do risco técnico de desempenho do negócio evidenciando a capacidade de pagamento do empréstimo de acordo com o contrato de financiamento.

 

As garantias do financiamento devem ser estabelecidas no Plano Financeiro, pois servirão de lastro para a operação minimizando o risco de crédito do ponto de vista dos bancos. Por isso, tendo em vista o tipo de financiamento é preciso organizar as garantias consoantes à demanda do banco em questão.

 

3. Escolher a instituição financeira:

 

A escolha da instituição financeira deve-se pautar no histórico da mesma no que tange idoneidade, linhas de crédito e condições de financiamento, e sobre tudo ter expertise em financiamentos pecuários, uma vez que esses apresentam particularidades que precisam ser respeitadas, bem como: volume de recursos, prazos e condições de pagamentos, agilidade no processo e liberação do financiamento. Tudo isso precisa estar em conformidade ao modelo de produção de cada fazenda.

 

4. Analisar e escolher as linhas de crédito:

 

A partir do Plano Financeiro é possível analisar e escolher as linhas de crédito que melhor atendem a demanda da fazenda. As linhas de crédito estão classificadas de forma macro em dois segmentos: investimentos e custeio (capital de giro).

 

Os financiamentos destinados a investimentos fixos e semi-fixos precisam atender os pré-requisitos do Plano no que diz respeito aos prazos de carência e de pagamento, além de taxas compatíveis com o retorno sobre o investimento. Para essas modalidades de investimentos, os recursos subsidiados, geralmente, atendem bem a demanda dos pecuaristas.

 

Ao financiar o custeio da atividade, que é o pagamento das despesas operacionais da fazenda, o perfil da demanda de crédito se pauta na agilidade da liberação dos recursos e na flexibilidade dos prazos de pagamento. Pois para o equilíbrio do fluxo de caixa é preciso cobrir os déficits dos meses em que as receitas são menores que as despesas. Para tanto, as linhas de crédito que atendam esses pré-requisitos precisam estar disponíveis.

 

A CPR (Cédula de Produto Rural) tem sido muito utilizada na pecuária com o objetivo de auxiliar no custeio da produção, representando uma boa ferramenta para esse fim. Podendo ser utilizada também para aproveitar oportunidades de negócios que surgem no decorrer da atividade.

 

As principais vantagens da CPR são: a garantia do financiamento ser o bem de produção, que no caso da pecuária, é o próprio animal; o alto volume dos recursos disponíveis; e a praticidade da operação, por se tratar da antecipação das receitas do negócio, o que simplifica o processo tornando as operações mais ágeis.

 

5. Negociar as condições do financiamento:

 

Para os recursos subsidiados, cujas linhas de crédito são parametrizadas e definidas tem-se pouca mobilidade de negociação. Nesses casos o mais importante é fazer um estudo detalhado das linhas de crédito para optar pela que atenda as premissas do Projeto. Após essa análise cabe ao pecuarista a flexibilidade de melhor adequar-se à linha de crédito no que se refere às taxas, garantias, prazos e forma de pagamento, tendo em vista as definições do Plano de Negócios nos quesitos de previsões de receitas, despesas e investimentos.

 

No caso de recursos não subsidiados, as instituições financeiras apresentam maior flexibilidade de negociação e adequação às necessidades do pecuarista. Sendo assim, cabe a esse se posicionar de forma a conseguir as melhores condições, principalmente no quesito de volume de recursos com taxas atrativas em prazos compatíveis à demanda do Projeto.

 

Programando os pagamentos do financiamento nos momentos em que o caixa da fazenda estiver positivo. Pode parecer simples, no entanto, financiamentos para custeio de longo prazo a juros baixos podem se tornar caros para o pecuarista, se no intervalo de vigência do mesmo o caixa ficar positivo por muito tempo. Isso significa pagar juros sem necessidade, o que deve ser evitado.

 

6. Gerenciar o Projeto e o cumprimento do contrato de financiamento:

 

O gerenciamento do Projeto vai possibilitar atingir o desempenho previsto pelo mesmo, desde o ganho em peso dos animais, taxas de fertilidade, natalidade e mortalidade, quantidade de bezerros vendidos, número de bois gordos abatidos, entre outros. Essa performance técnica do Projeto é essencial para sua independência financeira e cumprimento do contrato de financiamento.

 

A adimplência e pontualidade de pagamento vão gerar um histórico positivo nas instituições financeiras deixando a fazenda apta para novas operações, o que é muito importante.

 

O financiamento é importante para a minha fazenda?

 

O financiamento é muito importante para o pecuarista na estruturação e operação de seu Projeto. Na estruturação do negócio, o crédito pode ser utilizado para a construção de infraestruturas, recuperação das pastagens, aquisição de máquinas, equipamentos e veículos.

 

E na operação da fazenda, os financiamentos poderão ser utilizados a fim de equilibrar o fluxo de caixa, principalmente nos períodos em que as receitas forem inferiores às despesas, permitindo aguardar as receitas previstas no Plano de Negócios, custeando a compra de animais, aquisição de insumos de nutrição e pastagens, pagamento de funcionários, manutenção de benfeitorias e máquinas, entre outras despesas operacionais.

 

No entanto, para utilizar os financiamentos a favor do pecuarista de forma a alavancar seu negócio, é essencial ter prudência e desenvolver o Plano de Negócios da fazenda. Firmando o planejamento estratégico e o plano financeiro bem estruturado como alicerces e diferencial competitivo para o pecuarista consolidar-se com sucesso no mercado e obter os lucros incrementais em seu negócio.


Marco Aurélio Nunes 

Diretor Executivo da Marco Rural Consultoria em Agronegócios 

Especialista em Gerenciamento de Projetos pela FGV 

Especialista em Produção de Ruminantes pela Esalq/USP 

Veterinário pela UFU 

marcoaurelio@marcorural.com.br 

(34) 3210-7646







 

 

 

 

 

 







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